A inteligência artificial já deixou de ser novidade no ambiente de trabalho: hoje, ela faz parte da rotina de profissionais de diferentes áreas, níveis e setores. Mas, apesar da popularização acelerada, existe uma diferença importante na forma como cada pessoa utiliza essa tecnologia no dia a dia.
Enquanto alguns ainda recorrem à IA para tarefas simples, como escrever textos ou gerar imagens, outros já começaram a explorar automações e até construir soluções estruturadas.
É justamente a partir dessa diferença que surge uma pergunta-chave: em que estágio estamos, de fato, quando o assunto é o uso de IA nas organizações nacionais?
Para responder a essa pergunta, nas últimas semanas, produzimos um levantamento com profissionais de todo o Brasil e identificamos três perfis principais de uso: usuários, exploradores e construtores de soluções — um recorte que ajuda a entender não só o nível de maturidade atual, mas também os principais desafios para avançar.
Confira:
Quais são os principais usos da IA no ambiente de trabalho?
Se, há alguns anos, o uso da inteligência artificial estava restrito a certas áreas, em 2026, é possível dizer que tais tecnologias já se consolidaram no dia a dia de muitas empresas brasileiras — movimento que deixou de ser novidade para se tornar parte da rotina em diferentes setores e funções.
Quando questionados, a maioria dos profissionais ouvidos confirmaram que interagem com essas ferramentas há algum tempo profissionalmente.
De acordo com o estudo, 30,4% deles já utilizam IA por cerca de seis meses a um ano, enquanto 41% afirmaram fazer uso de soluções como o ChatGPT e Gemini há mais de um ano, indicando uma adoção consistente dentro dos escritórios.
Em um contexto descrito por muitos como a “era da IA agêntica”, mais do que presente, a tecnologia também vem ganhando novas camadas de aplicação no ambiente corporativo.
Quando o assunto são os agentes de IA, por exemplo, 55,8% dos entrevistados compartilharam utilizá-los no dia a dia para a geração de conteúdo, quando não para analisar dados, extrair insights e elaborar relatórios (47,2%).

Outros impactos dos agentes também reforçam o papel da IA na organização profissional.
Isso porque, dos respondentes, 4 em cada 10 utilizam essas ferramentas para organizar tarefas, agendas e demandas do dia a dia, enquanto 38,2% recorrem à tecnologia durante o atendimento ao cliente, por meio de respostas automáticas e chatbots.
Afinal, os profissionais brasileiros realmente dominam a IA?
Mesmo presente na rotina dos times e equipes, algo que nosso levantamento evidencia é que, em um momento de alta popularidade da IA, muitos profissionais ainda se veem em um estágio inicial de uso da tecnologia, recorrendo às ferramentas principalmente para tarefas simples.

Ao refletirem sobre a própria relação com tais tecnologias, por exemplo, a maioria dos respondentes se definem como “usuários de IA”, grupo que reconhece utilizar plataformas como ChatGPT apenas para demandas pontuais, como escrever textos, responder dúvidas ou gerar ideias (56,6%).
Já 26,4% se consideram “exploradores”, buscando novas ferramentas e testando algumas automações simples no dia a dia.
Na outra ponta, os chamados “construtores de soluções” — isso é, aqueles que vão além do uso básico e de fato constroem com apoio da tecnologia — ainda são minoria.
Ao longo do estudo, aliás, apenas 11,6% dos profissionais afirmaram utilizar a IA de forma avançada, criando soluções próprias ou desenvolvendo aplicações estruturadas.
Foi pensando nisso que a Conquer criou a Certificação Profissional IA Builder: uma formação que vai te ajudar a transformar ideias em soluções usando Lovable, Replit, Claude e outras ferramentas vibe coding.
O número explica uma dor compartilhada por 9 em cada 10 respondentes: a sensação de ter ideias promissoras, mas ainda não ser capaz de colocá-las em prática.
O que impede os profissionais de evoluírem no uso da IA?
Na prática, tal descompasso entre ter boas ideias e executá-las não acontece por acaso.
Entre os obstáculos citados, por exemplo, estariam a falta de conhecimento técnico (41%), a maior das dores, a dificuldade em escolher as ferramentas mais adequadas (32%) e, ainda, a ausência de incentivo por parte das empresas (21,6%), apenas alguns dos fatores que acabam limitando o avanço no uso estratégico da tecnologia.

A constatação vem acompanhada de um alerta.
Para 80% dos entrevistados, nos próximos anos, profissionais que apenas utilizam IA devem ser substituídos por aqueles que sabem idealizar, modelar e construir projetos com ajuda da tecnologia, o que reforçaria a urgência de desenvolver novas habilidades para se manter relevante e competitivo.
Metodologia
Para compreender como os brasileiros usam a IA no trabalho, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, em que puderam avaliar os próprios perfis enquanto usuários, seus níveis de entendimento em relação às ferramentas e as principais dores quando o assunto são as ferramentas de IA. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.
