Que o Treinamento e Desenvolvimento desempenham um papel fundamental nas empresas não é novidade para ninguém — por meio de iniciativas focadas, é possível fortalecer habilidades essenciais, revelar e potencializar talentos e alinhar as competências da equipe aos objetivos organizacionais de forma consistente.
Mas, afinal, como empresas de todo o país têm investido na área de T&D atualmente, da implementação aos seus resultados?
É para responder essa pergunta que, recentemente, desenvolvemos o chamado “Termômetro de T&D 2026”, que traz dados inéditos sobre a área em diferentes organizações, entre os principais desafios, expectativas e feedbacks recebidos por quem trabalha desenvolvendo pessoas.
Os dados refletem a experiência de 800 profissionais conectados à internet — dispostos em departamentos como Recursos Humanos (50,1%), Treinamento e Desenvolvimento (32,5%) e Administrativo (4,6%) —, que acessaram um questionário estruturado sobre o tema entre os meses de setembro e outubro. Confira a seguir!
Principais descobertas:
- Superar a resistência dos colaboradores é, hoje, o maior desafio da área no Brasil;
- Além disso, somente 11,8% dos profissionais de T&D mapeiam necessidades internas com base em dados e planos de negócio;
- Apesar dos desafios, a maioria dos respondentes vê a área como essencial nos próximos 5 anos;
- Liderança, Gestão de Pessoas e habilidades em IA serão as prioridades da maioria das organizações em 2026.
Treinamento e Desenvolvimento: por dentro da realidade das empresas
Apesar do avanço dos programas de Treinamento e Desenvolvimento nos últimos anos, os dados do “Termômetro de T&D 2026” mostram que, de forma geral, a maturidade da área ainda pode ser melhor desenvolvida em muitas empresas.
Ao mapearem possíveis lacunas de habilidades entre os colaboradores, por exemplo, apenas 11,8% dos entrevistados compartilharam recorrer a dados de negócio e planos da própria empresa para visualizar certas necessidades, enquanto somente 8,5% trabalham, hoje, com ferramentas de Análise de Pessoas e matriz de competências.
De acordo com 3 em cada 10 ouvidos, vale dizer, suas organizações sequer realizam o mapeamento de competências, etapa essencial para direcionar ações estratégicas e conectadas aos objetivos da instituição.
Outro ponto que chama atenção é a mensuração de resultados. Afinal, apenas 3% dos respondentes disseram calcular o ROI dos treinamentos, ou seja, medir de forma concreta a relação entre o investimento feito e os resultados obtidos — prática mais comum e estruturada em pequenas empresas (6,6% dos respondentes), cujas equipes vão de 2 a 50 colaboradores.
A ausência desse tipo de análise em boa parte das organizações explica outro dado interessante observado ao longo do levantamento: 46% dos participantes sentem que o aprendizado adquirido em suas organizações raramente é colocado em prática. O número, nesse sentido, reforça como transformar conhecimento em resultado continua sendo um desafio diário para muitas empresas.
Ainda assim, alguns rituais de desenvolvimento seguem presentes na rotina corporativa:
- Reuniões 1:1, por exemplo, são realizadas por 25,3% dos entrevistados;
- Conversas de feedback estão presentes nas empresas de 23,4% dos respondentes;
- Já o acompanhamento de PDI e sessões de revisão de metas e objetivos, por sua vez, apareceram nas respostas de apenas 14% dos participantes.
O cenário mostra que as bases já estão lançadas, mas ainda há um caminho de evolução pela frente. Fortalecer a cultura de aprendizado contínuo, com práticas estruturadas, metas claras e mensuração de resultados, será essencial para transformar o T&D em um verdadeiro motor de crescimento nessas organizações.
Este é o principal desafio enfrentado pela área de T&D no Brasil
Segundo as pessoas ouvidas no nosso “Termômetro de T&D 2026”, engajar os colaboradores tem sido o principal obstáculo de diferentes times ao redor do país hoje.
Para se ter uma ideia, 16,9% deles apontaram a resistência ou a falta de interesse das pessoas como a maior barreira atual — à frente de desafios como garantir a aplicação prática do aprendizado no trabalho (15,9%) e vincular o impacto das capacitações a métricas de negócio (14,5%).

De forma geral, muitos respondentes relatam ouvir dos colaboradores que o conteúdo dos treinamentos é útil (37,5%) ou que “os formatos são dinâmicos e mantêm a atenção” (22,2%). Ainda assim, são comuns feedbacks como:
- “Fico perdido depois do curso, sem saber como aplicar” (13,3%);
- “É maçante e toma muito tempo do meu dia” (14,4%);
- “Não vejo como usar isso na minha rotina” (12,5%)
A consequência direta dessa falta de engajamento aparece também na adesão. Quase metade dos profissionais (45%) afirmam que, em suas empresas, de 2 a 5 treinamentos são cancelados ou adiados por falta de participantes ou prioridade. E, para um em cada cinco (20,6%), esse número pode chegar a 10 cancelamentos por ano.
Esses dados evidenciam um ponto crucial: o desafio não está apenas em oferecer treinamentos de qualidade, mas despertar o interesse e o senso de propósito das pessoas em participar deles. Engajar é, cada vez mais, a chave para transformar a capacitação em resultados.
Quais habilidades as empresas priorizarão em 2026?
Apesar dos desafios atuais, os profissionais ouvidos pela Conquer olham para os próximos cinco anos com otimismo em relação à aprendizagem nas organizações. Para muitos, ela continuará sendo essencial (8,1%) ou necessária (3,8%), considerando a demanda constante por atualização no ambiente corporativo.
Em 2026, o foco principal será desenvolver colaboradores capacitados. A competência mais citada como prioridade é Liderança e Gestão de Pessoas, seguida por habilidades cada vez mais estratégicas, como Inteligência Artificial (10,3%), Inteligência Emocional (9,8%), Comunicação (9,6%) e Capacidade de Análise e Pensamento Crítico (7,7%).

Quando questionados sobre possíveis ajustes na área no futuro, 36,4% dos profissionais indicaram que mudariam o foco de “dar treinamento” para “gerar desenvolvimento contínuo”. Outros 28,8% gostariam que a área fosse percebida mais como um investimento estratégico, e não apenas como um custo.
O uso da Inteligência Artificial também surge como prioridade: 13% apontaram como essencial o aumento de sua aplicação para personalização em escala, especialmente porque, segundo 49%, a IA já vem sendo aplicada no desenvolvimento de pessoas nos últimos meses.
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Metodologia
Para elaborar um panorama sobre as ações de Treinamento e Desenvolvimento em 2025, nas últimas semanas, foram entrevistados 800 profissionais de diferentes empresas — entre áreas como T&D (32,5%), RH (50,1%) e Administrativo (4,6%) — conectados à internet.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 17 questões, que exploraram detalhes como o orçamento, estrutura e impacto da área de T&D nas empresas hoje. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere o percentual de cada alternativa apontada pelos entrevistados.
